Artigo: O Brasil que inspira o G-20 – José Carlos Aleluia

Artigo: O Brasil que inspira o G-20

x2012070587524-jpg-pagespeed-ic-zymwzcu8ox

Na oportunidade em que Salvador sedia a Semana do Clima da América Latina e Caribe, proponho um olhar mais aprofundado onde o Brasil tem sido vanguarda na agenda de tecnologia em favor do meio ambiente e do clima: o uso de energias renováveis e a Conferência de Karuizawa.

Agora em Junho deste ano, ministros de Economia e Energia de países membros do G-20 se reuniram na cidade japonesa sob o tema “Transições de Energia e Desenvolvimento Global para um Crescimento Sustentável”. O encontro resultou no Plano de Ações de Inovação de Karuizawa, uma lista voluntária de intenções que busca a transição da geração da energia global em uma matriz mais limpa. Todo o acordo é fundamentado e tem como diretriz o chamado “3E+S” (Segurança Energética, Eficiência Econômica e Desenvolvimento + Sustentabilidade).

E é aí que temos muito a oferecer. Os excepcionais avanços de nossa política energética na última década nos permitiram cumprir com as mais recentes determinações apresentadas em fóruns globais sobre o tema. Poucos países podem dizer o mesmo. Ancorado em uma base hidrelétrica consolidada no Século XX, o Brasil, a partir da década de 90, começou a criar condições para avançar para uma política de incentivo a inovações e fomento às energias renováveis. O grande divisor dessa iniciativa é o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), sancionado em 2002.

Como relator do projeto de reestruturação do setor elétrico, fui o autor da emenda que criou o Proinfa e acompanhei sua implantação. Criamos uma obrigação contratual para que a Eletrobras comprasse e fornecesse aos agentes do Sistema Interligado Nacional (SIN), nos limites e metas estabelecidos, a energia gerada por fontes incentivadas, com base nas matrizes eólica, solar, pequenas centrais hidrelétricas e biomassa. Um programa pioneiro no fomento às inovações energéticas em nosso país, aliando a estratégica pública com a iniciativa privada. Hoje a energia eólica caminha para se consolidar como segunda maior fonte do país.

Quando dirigi a Chesf, na década de 80, já estudávamos as opções de produção de energia na região após esgotarmos os recursos hídricos à disposição. Nem nos nossos melhores sonhos poderíamos imaginar um Nordeste exportador de energia renovável e limpa, o que hoje é uma tendência consolidada. No último dia 15/08, 86% da energia consumida na região foi gerada a partir do vento. Em alguns momentos, o montante foi o equivalente ao dobro da própria produção hidrelétrica.

O próximo passo virá com a geração distribuída, que teve sua regulamentação atualizada em 2017. O Brasil atingiu recentemente a marca de 1GW em geração através de famílias e empresas que produzem sua própria energia (basicamente solar).

Uma prática que tende a crescer, ajudando o país a se manter vanguarda do uso de energia limpa em favor de um desenvolvimento global mais sustentável.

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde do dia 21/08/19